Ex-diretor do FBI Comey diz "não ter medo" de acusações da administração Trump
O ex-diretor do FBI James Comey declarou na terça-feira estar inocente das acusações de ameaça contra o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e garantiu "não ter medo".
Comey, de 65 anos, é alvo de duas acusações formalizadas por um júri da Carolina do Norte (sudeste) devido a uma fotografia publicada nas redes sociais em maio de 2025, interpretada pela administração Trump como uma ameaça ao Presidente.
"Continuo inocente, continuo a não ter medo e continuo a acreditar numa justiça federal independente", declarou James Comey, num vídeo divulgado na terça-feira.
"Ameaçar atentar contra a vida do Presidente dos Estados Unidos nunca será tolerado pelo Departamento de Justiça", declarou o procurador-geral interino, Todd Blanche, numa conferência de imprensa, sublinhando que cada uma das duas acusações é passível de uma pena máxima de dez anos de prisão.
Comey está a ser processado devido a um incidente relacionado com a publicação de uma fotografia na rede social Instagram, no ano passado.
Nessa foto, posteriormente retirada, conchas formavam a mensagem "86 47" na areia, sendo que o primeiro número é por vezes utilizado para representar o desejo de afastar, ou mesmo de matar alguém, enquanto o segundo pode referir-se a Donald Trump, 47.º Presidente dos Estados Unidos.
Esta imagem "seria interpretada" como "uma expressão grave da intenção de prejudicar o Presidente dos Estados Unidos", segundo o processo.
Na altura dos factos, James Comey explicou: "Publiquei há pouco uma foto de conchas que vi esta manhã durante um passeio na praia e achei que era uma mensagem política. Não me tinha apercebido de que algumas pessoas associavam esses símbolos à violência. Nunca tive isso em mente, mas oponho-me a qualquer forma de violência e, por isso, retirei a publicação", escreveu.
As autoridades federais norte-americanas anunciaram então uma investigação do Serviço Secreto, responsável pela proteção de personalidades de alto nível.
James Comey, demitido abruptamente por Donald Trump em 2017, enquanto o FBI investigava possíveis ingerências russas na campanha presidencial de 2016, já tinha sido acusado de ter mentido sob juramento ao negar, em resposta a uma pergunta de um senador, ter autorizado um adjunto a ser citado sem ser identificado nos meios de comunicação social sobre investigações sensíveis conduzidas pelo FBI.
c/Lusa